Quando surge a primeira dentição, derivado da sua composição, os dentes costumam ser mais claros que os dentes que lhes sucedem, os definitivos.

Na verdade, a cor natural dos dentes varia de pessoa para pessoa, desde os tons mais amarelados ou avermelhados aos tons mais acinzentados, mais claros ou mais escuros, mesmo que esse facto nada tenha a ver com maus hábitos alimentares e ou higiénicos.

A parte mais branca do dente é o esmalte, com o tempo tende a escurecer, nem que seja, ora pelo próprio desgaste natural, ora pelo envelhecimento das células.

Os regulares cuidados para a sua preservação, para além de beneficiarem a própria saúde oral, são garantia que os dentes se mantêm o mais próximo do seu tom natural e salvaguardados de manchas derivadas da alimentação.

 Cuidados a Ter…

Deverá então ser feita uma correcta higienização oral, usando pasta dentífrica com flúor, e fio dental, pelo menos duas vezes ao dia. Devem-se evitar escovas com cerdas duras para proteger o esmalte.

 Outro dos cuidados a ter é com a alimentação, o consumo de alimentos naturais ou artificiais que contenham corantes, pois os seus pigmentos podem provocar manchas no esmalte. Exemplos disso são:

. o café,

. o refrigerante,

. o vinho,

. o ketchup e outros molhos,

. o chá…

Em caso de não ter sido possível fazer higienização oral após ingerência desses alimentos, deve-se pelo menos fazer bochechos com água para eliminar os resíduos deixados.

O consumo de tabaco e de bebidas alcoólicas contribuem bastante para o processo de escurecimento dos dentes.

Outros Factores…

Além de alguns alimentos e dos maus hábitos, outros factores afectam a cor do esmalte dos dentes. Entre outros, podemos apontar:

. alguns antibióticos;

. a ingestão de flúor em demasia;

. a ingestão de água com determinados tipos de sais minerais nela presentes;

. a desvitalização dos dentes,

. a insuficiência de vitamina D,

. a retracção de gengivas devido ao tártaro ou por outra causa…

Alternativas para o Sorriso Desejado…

O branco puro não é com certeza a cor natural dos dentes, só que o bem-estar social e emocional das pessoas depende em muito da aparência, e a busca pela imagem de uma boca sã e bem cuidada leva a maioria a desejar ter os dentes com a tonalidade mais próxima do branco possível, mesmo que o tom original dos seus dentes assim não o seja.

Opções como o Branqueamento Dentário e a colocação de Facetas Dentárias são alternativas válidas para as pessoas alcançarem o sorriso desejado.

O primeiro procedimento traduz-se na aplicação de um agente branqueador que penetra no esmalte e torna os dentes mais brancos sem os danificar. Normalmente os resultados são bastante satisfatórios, contudo, por vezes não é possível atingir o resultado pretendido, depende muito do motivo que originou o escurecimento dos dentes.

Já o segundo procedimento tratam-se de uma espécie de capas para os dentes, são coladas ou cimentadas definitivamente sobre eles, cobrem o esmalte e corrigem vários problemas, um deles os dentes escurecidos. É uma solução rápida e eficaz, já que esconde os dentes naturais com as facetas da cor pretendida.

Tanto um como outro processo devem requerer o parecer de um bom profissional.

Selecção de Cor…

O desejo de obtenção de um ‘sorriso branco a todo o custo’ pode levar a resultados um pouco artificiais causando assim um impacto bastante negativo na imagem das pessoas. A escolha da cor dos dentes a aplicar é assim uma questão de relevante importância, e em prol do equilíbrio do rosto a sua selecção terá de ser criteriosa e apoiada em parâmetros como a idade, o tom de pele e o tom natural dos dentes em causa.

Em procedimentos como a colocação de próteses, implante de um dente, ou mesmo num simples processo de restauração, essa selecção deverá ser feita correctamente. Imaginemos a titulo de exemplo, um paciente com um novo dente de uma cor e os restantes notoriamente de outra… Essa diferença pode comprometer a harmonia estética do sorriso.

Para dentistas e técnicos que na sua área de actuação necessitam de atribuir os tons de dentes mais indicados para cada caso clínico este tema é um desafio.

Guias de Tonalidades…

Para os auxiliar nessa escolha foram criados guias de tonalidades (paletas de cores). Quanto maior a oferta de amostras mais difícil poderá ser a escolha, contudo mais preciso deverá ser o resultado.

O guia VITA CLASSICAL lançado em 1956 pela empresa alemã VITA ZAHNFABRIK é ainda hoje padrão de referência no mundo da odontologia. A escala de cores é organizada em quatro tons de gradação (matiz):

. A (Castanho Avermelhado);

. B (Amarelo Avermelhado);

. C (Cinzento);

. e D (Cinzento Avermelhado).

Cada tom possui ainda 4 níveis de brilho (croma), em que 1 é o mais claro, e o 4 o mais escuro (16 tonalidades ao todo). Sendo assim, e tomando como exemplo B (Vermelho Amarelado), temos B1, B2, B3, B4, em que B3 será um vermelho amarelado mais escuro que B1 e que B2, contudo menos escuro que B4.

É uma verdade que a generalidade dos materiais ainda são fabricados tendo por base esta escala, porém ela apenas cobre uma parte das tonalidades brancas dos dentes e algumas cores da mesma não fazem parte da amostra real dos pacientes, não permitindo assim determinar com maior precisão as cores naturais dos dentes.

Então, em 1998 a mesma empresa desenvolveu um processo de determinação cromática único no mercado, com o guia VITA 3D-MASTER de 26 tons. Este, baseia-se em 3 etapas de selecção de cor:

. valor brilho (nível de luminosidade até 5);

. matiz (tonalidades L (amarelo), M (neutro) ou R (vermelho);

.e croma (nível de saturação 1, 1.5, 2.5 ou 3).

Por exemplo, 3R1 pode ser um código de cor segundo este processo.

Estes são os dois sistemas universalmente aceites e os mais utilizados. Se nas restaurações directas, por exemplo, ainda é necessário o uso da escala VITA CLASSICAL, as indirectas devem ter como base um processo mais preciso como o VITA 3D-MASTER.

Esta metodologia (tradicional) baseada na selecção visual tem as suas limitações, por essa razão a  odontologia apoia-se na inovação tecnológica (aparelhos espectrofotômetros, espectroradiómetros, colorímetros e ferramentas digitais de análise de imagem) para o desenvolvimento de sistemas de correspondência de cor mais elaborados e precisos.

Já é uma realidade o uso de scanners que captam imagens dos dentes, detectam as cores respectivas, enquanto constroem em simultâneo um modelo em 3D com todas essas informações a serem enviadas para o laboratório de próteses. É um método que tem ganho utilizadores, bem mais dispendioso, é certo, mas definitivamente mais rápido, objectivo e eficaz.