‘Estomatologia’ deriva do grego ‘estoma’, que significa ‘boca’. Surge como um termo abrangente das áreas Odontologia, Medicina e Cirurgia de todo o aparelho estomatognático, termo esse introduzido em 1868 por Edmond Andrieu na França.

Tem fundamentalmente a ver com o estudo e tratamento de doenças que se manifestam na cavidade da boca, no complexo maxilo-mandibular e respectivo sistema dentário.

A Odontologia em Portugal como a conhecemos apoiou-se no contributo de Dentistas diplomados estrangeiros, que se estabeleceram em Portugal e que trouxeram conhecimentos inovadores, mas chegar aqui não foi fácil.

Num tempo não muito longínquo, a odontologia, embora que de forma rudimentar, chegou a ser praticada pelos chamados ‘arrancadores de dentes’, monges religiosos, e até por barbeiros! Nessa época, raros foram os médicos que se ‘aventuraram’ nesse campo.

Apenas no Séc. XVIII, foi regulamentada a profissão de Dentista em Portugal, e no inicio do século seguinte oficializado o primeiro Cirurgião Dentista.

Os primeiros serviços de estomatologia foram surgindo nos hospitais a partir de 1906, nos anos que se seguiram deram-se avanços e recuos na luta pela inserção da especialidade no ensino. Só em 1976 surgem em Lisboa e Porto as Escolas Superiores de Medicina Dentária, e a partir daí, outros Institutos, Faculdades e Universidades que pelo país têm formado profissionais de saúde oral.

No campo da odontologia actuam dois profissionais que de facto são geralmente confundidos no que à sua actividade diz respeito, mas que na verdade são distintos. São eles, os Médicos Estomatologistas e os Médicos Dentistas.

Os primeiros, são profissionais licenciados em Medicina, inscritos na Ordem dos Médicos e que se especializaram posteriormente em Estomatologia, enquanto que os segundos, são licenciados em Medicina Dentária e por sua vez inscritos na Ordem dos Médicos Dentistas.

O Estomatologista está apto a prevenir e tratar doenças orais e ou em estruturas anexas, em que a origem pode ser da mais diversa ordem, ora viral, ora bacteriana, imunológica…

Ele é ainda capacitado para fazer o diagnóstico de doenças sistémicas, sexualmente transmissíveis e dermatológicas que apresentem manifestação na boca; encaminhar os seus pacientes para outras especialidades médicas se necessário; bem como detectar o cancro em estágio inicial e acompanhar os pacientes durante os tratamentos oncológicos.

O Médico Dentista, especialista em odontologia, dedica-se mais ao estudo e tratamento dos dentes e exerce quase exclusivamente em clínicas privadas. A Medicina Dentária é um segmento independente em Portugal.

Há uma tendência de menor formação de médicos estomatologistas, esse facto é reflectido na quantidade bastante menor de médicos estomatologistas em comparação com o número de médicos dentistas existentes, contudo muito poucos médicos dentistas fazem parte do Serviço Nacional de Saúde, já que não têm acesso privilegiado aos serviços de saúde estatais como os médicos estomatologistas têm.

Uns estão assim mais vocacionados que outros para executar o serviço hospitalar, contudo ambos devem trabalhar em harmonia e cooperação para que o serviço prestado seja sempre no sentido de encontrar a melhor solução para cada paciente numa área de actividade exigente e diferenciada.

Na verdade, ambos têm formação para identificar, diagnosticar e tratar todas as patologias orais e maxilares, bem como nas estruturas anexas a estas, quer de forma médica ou cirúrgica, mas enquanto uns são contemplados com carreira médica hospitalar, os outros não. Falta pois então a inserção definitiva da Medicina Dentária em Hospitais e Centros de Saúde públicos.