É facto que a dor e o desconforto gerados pelas variadas doenças orais, próteses inadaptadas ou outras maleitas podem ser intensos. Contudo, incomparavelmente superiores se não fossem administradas anestesias que aliviam os sérios incómodos enquanto o médico dentista procede ao tratamento.

A primeira pessoa, que se saiba, a aplicar anestesia num acto médico não foi um dentista, foi médico Crawford Williamson Long, em 1842. Inibia a dor dos pacientes através de inalação de éter sulfúrico nas suas cirurgias (antes dele, outros já teriam observado os efeitos anestésicos dessa droga).

À época, com receio de ser considerado charlatão, Long não tomou qualquer iniciativa para tornar universalmente conhecida a sua revolucionaria anestesia cirúrgica, e privou assim a humanidade do alívio de tanto sofrimento, que se vinha servindo apenas de meios paliativos como o álcool, cânhamo, outros derivados de plantas e até de um género de hipnose, o mesmerismo.

Até que quatro anos depois, 1946, William Thomas Green Morton, jovem estudante da Faculdade de Medicina de Harvard e odontologista, demonstrou e divulgou ao mundo o que Long já fazia, e por isso considerado por muitos, ele, o autor da descoberta da anestesia geral.

Actualmente existem vários tipos de anestesias, de formas de administração e de quantidades administradas. O medico dentista terá de fazer uma avaliação de cada paciente para determinar o procedimento para cada caso em particular, os historiais clínicos, alergias, os seus estados, a sua idade, bem como a resistência e sensibilidade à dor.

Podem-se dividir em duas classes: ‘Anestesias Gerais’ e ‘Anestesias Locais’. O que as difere é a combinação e a dose das substâncias aplicadas, bem como a consequente resposta dos pacientes a determinado estímulo.

. Em Anestesia Geral assiste-se à ausência de reação ao toque e à completa inconsciência, pode ser administrada de duas formas, inalatória (respiração) e intravenosa (ou infiltrativa, através de injecção directa). Ambas atingem o circuito sanguíneo e fazem o paciente adormecer, bloqueiam a dor e relaxam os músculos.

Na odontologia este tipo de anestesia não é frequente, apenas aplicado em intervenções orais de correcção de deformidades, alterações maxilofaciais, ou em extrações e implantes dentários que obrigatoriamente exijam o seu uso.

. Em Anestesia Local dá-se o entorpecimento de uma área especifica do corpo, inibindo para isso grupos de nervos, como é o caso das anestesias: Troncular, Raquidiana (ou espinhal) ou Epidural (ou peridural), as duas últimas atingem uma região maior do corpo (da cintura para baixo).

A anestesia local é a mais usada na odontologia, específicos pontos da cavidade oral (a. troncular) ou peças dentárias (a. periapical) são anestesiados, com o intuito de eliminar a sensibilidade e o desconforto.

É administrada pelas formas, infiltrativa e tópica. Na primeira usam-se agulhas (descartáveis ou reutilizáveis) e é muito comum o uso de uma pré-anestesia tópica em forma de pastilha sobre a área onde a agulha é introduzida. Já na segunda forma aplica-se um gel, creme ou aerossol anestésicos, ao invés da agulha, contudo o efeito é menos eficiente e de menor duração.

Se a sedação for leve, o paciente responde ao estímulo e fala, além de estar induzido num estado de tranquilidade. Se for moderada, o paciente responde com estímulos verbais ou leves toques. Caso seja profunda, apenas responde com estímulos dolorosos.

Para pacientes grávidas é consensual na odontologia a aplicação do anestésico local que proporcione uma maior duração de tempo.

Os efeitos negativos de uma anestesia local são pouco comuns, podem dar-se lesões acidentais dos vasos sanguíneos durante a introdução da agulha que causam o extravasamento de sangue aos tecidos e criam ‘Hematomas’. Outro efeito negativo, mais grave, porém menos comum, será a ‘Anafilaxia’, uma reacção alérgica que pode causar edema (inchaço), urticária, dificuldade em respirar e ou de engolir, diminuição súbita da pressão arterial, e até mesmo perda de consciência ou algo mais grave.

Outras Técnicas…

. A Sedação Consciente é também usada na medicina dentária, é uma sedação leve aplicada através de inalação de um gás (protóxido de azoto, o mesmo que óxido nitroso). Os pacientes mantêm-se calmos e relaxados para cooperar com o médico dentista. É uma técnica que vem tendo a sua importância no tratamento de crianças, de problemas periodontais e em algumas cirurgias de implantes dentários

. A Sedação Oral é aplicada bastantes horas antes do inicio do tratamento. Não é muito usada na odontologia.

. A Anestesia por Injectores, não requer o uso de agulha mas sim de injectores de pressão, onde o líquido anestesiante é depositado no tecido subcutâneo da cavidade oral. É praticamente indolor.

. O STA (Single Tooth anesthesia), é um sistema de anestesia inovador em que o controlo e regulação do fluxo e da pressão da injecção são executados automaticamente por um computador o ‘The Wand’. É indolor.

Um dia alguém disse, ‘o mundo é composto de mudança’, talvez num futuro próximo outras inovações disponham mais e melhores soluções.